O Guia Definitivo das Lentes Multifocais: entenda as lentes que corrigem a visão para perto e longe
As lentes multifocais são lentes que óculos de grau que corrigem múltiplas distâncias na mesma lente. Não importa qual a distância, seja perto, longe, ou meia distância, com essas lentes o usuário enxerga de forma nítida e suavizada.
São lentes que permitem que o usuário fique permanentemente com o óculos e execute diversas tarefas do dia a dia de forma confortável e eficaz, diferente das lentes monofocais, onde há a necessidade de se carregar um óculos para leitura e outro para enxergar de longe.
As lentes de grau multifocais são fabricadas para quem possui presbiopia, condição natural que se apresenta geralmente a partir dos 40 anos.
Como foram criadas e inventadas as lentes multifocais?
A história da correção visual para a presbiopia (a famosa "vista cansada") começou de forma rudimentar. Benjamin Franklin, no século XVIII, cansado de trocar de óculos, cortou duas lentes ao meio e as uniu, criando óculos bifocais. Por muito tempo, as lentes fabricadas dessa forma, com uma linha divisória no meio da lente foi o padrão, mas ela trazia uma transição muito brusca entre a correção para perto a correção para longe, o que é desconfortável, além de possuir uma linha no meio bastante visível demarcando as diferentes lentes, o que é esteticamente desagradável.
A verdadeira revolução aconteceu em 1959, quando o engenheiro francês Bernard Maitenaz, após mais de uma década de pesquisa lançou a primeira lente multifocal, a Varilux. Ele teve a ideia brilhante de criar uma superfície lente que mudava gradualmente do grau de longe para o de perto, sem linhas visíveis e de forma suavizada. Desde então, as lentes multifocais foram cada vez mais aprimoradas e hoje contam com tecnologias complexas, com uso inclusive de inteligência artifical em sua fabricação.
O que são e como funcionam as lentes multifocais?
São lentes de óculos ou lentes de contatos que corrigem múltiplas distâncias na mesma lente, de forma progressiva e suavizada entre os campos de visão, sem uma linha divisória aparente, como acontece nas lentes bifocais. Diferente das lentes monofocais que corrigem a visão somente para longe ou somente para perto, as lentes multifocais possuem uma progressão suavizada do grau de longe para o grau de perto e corrige 3 distâncias: longe, perto e intermediário. São lentes fabricadas para quem possui presbiopia, condição natural que se apresenta após os 40 anos. Elas possuem em sua composição alguns elementos principais:
1. O Corredor Progressivo
Imagine um funil de nitidez que desce pelo centro da lente. Esse é o corredor progressivo. É aqui que a mágica acontece: na parte superior, você tem o grau para longe; conforme o olhar desce, o grau muda gradualmente para o intermediário (distância usada para enxergar no computador) até chegar à base, a parte mais baixa da lent que é otimizada para a leitura (perto).
2. Campos de Visão
Uma lente multifocal de alta qualidade é definida pela largura de seus campos de visão. Lentes de entrada costumam ter campos mais estreitos, o que obriga o usuário a mover mais a cabeça para focar. Lentes premium oferecem campos de visão amplos, permitindo que o olho se mova com mais liberdade.
3. Aberrações Laterais
Aqui está o segredo que as óticas nem sempre explicam detalhadamente: por uma limitação física, ao criar uma progressão de grau no centro, as laterais da lente sofrem distorções. Essas são chamadas as aberrações laterais.
- Em lentes básicas: As distorções são grandes e "invadem" o corredor, causando tontura, distorções e não permitem que o usuário enxergue muito bem ao mover a cabeça para os lados.
- Em lentes digitais/Freeform: Essas aberrações tendem a ser minimizadas e uma área maior da lente é utilizada para corrigir os graus.
Materiais disponíveis para as lentes de grau multifocais
A escolha do material correto das lentes é fundamental para um óculos confortável e agradável, e essa escolha leva em consideração principalmente o grau de cada usuário.
| Material |
Para quem é indicado? |
Vantagem Principal |
| CR-39 (Resina) |
Graus baixos e orçamentos apertados. |
Excelente nitidez visual. |
| Policarbonato |
Esportistas, crianças e quem busca segurança. |
Altíssima resistência a impactos e quedas. |
| Trivex |
Quem busca lentes finas e resistentes |
Resistência e leveza |
| Resinas de Alto Índice (1.6, 1.67, 1.74) |
Quem tem graus altos (miopia ou hipermetropia elevada). |
Lentes super finas e leves. |
Dica de mestre: Se o seu grau for acima de +3.50 ou -3.50, invista em lentes com índices de refração a partir de 1.59. São lentes mais finas e ficam bem mais confortáveis no rosto.
Tratamentos: incremente ainda mais suas lentes
Há diversos tratamentos e proteções disponíveis no mercado e cada um oferece benefícios específicos. Abaixo listaremos os mais solicitados:
- Antirreflexo (AR): Fundamental. Ele elimina os reflexos internos e externos de luz, aumenta a transparência e melhora a estética e transparência das lentes(as pessoas veem seus olhos, não o reflexo da luz).
- Filtro de Luz Azul: Indispensável para quem passa mais de 4 horas por dia em frente a telas eletrônicas. Ele ajuda a reduzir a fadiga ocular e protege a estrutura ocular a longo prazo.
- Fotocromáticas (Transitions e afins): As lentes que escurecem no sol. Ótimas para quem tem sensibilidade à luz do sol e não quer ficar trocando para óculos de sol o tempo todo.
- Resistência a Riscos e Camada Oleofóbica: Facilitam a limpeza da lentes repelindo sujeiras sólidas e líquidas da superfície das lentes.
Um outro ponto a ser levado em conta: a surfaçagem
As lentes progressivas são confeccionadas a partir de um bloco feito no material escolhido. A forma como o grau de sua receita é "esculpido" no bloco da lente é chamado surfaçagem, e há maneiras distintas de se fazer esse processo que influenciam no resultado final de suas lentes.
1. Surfaçagem Tradicional (Convencional)
É o método mais antigo, onde a lente é desbastada por moldes físicos pré-determinados. O cálculo é feito de forma padronizada e as ferramentas de corte têm limitações de precisão. É um dos métodos mais utilizados ainda hoje. Funciona bem, mas não permite uma personalização maior das lentes.
2. Surfaçagem Digital
Aqui, o processo de corte já é controlado por computador, oferecendo uma precisão muito superior ao método tradicional. Embora utilize blocos de lentes com desenhos semi-acabados, a surfaçagem digital garante lentes que chegam ao grau do paciente com mais precisão. As lentes são mais otimizadas para a armação escolhida e tendem a ficar mais confortáveis e mais nítidas.
3. Surfaçagem Freeform (Ponto a Ponto)
Na surfaçagem com tecnologia Freeform, a lente é usinada ponto a ponto da superfície por um diamante industrial guiado por software de computador de alta complexidade. O desenho da progressão do grau de longe para o de perto é feito na face interna da lente (mais próxima ao olho), o que amplia o campo visual em até 30% e elimina grande parte das distorções laterais. É a tecnologia que mais permite uma personalização total de acordo com a armação escolhida pelo usuário, sua postura, anatomia ocular, dentre outros pontos.
A escolha da armação influencia diretamente na satisfação com as lentes multifocais
Escolher a armação para uma lente multifocal não é apenas uma questão de estilo; é uma decisão técnica. Para que seu óculos fique confortável de usar no rosto e você se sinta bem com o óculos, pontos importantes devem ser levados em consideração, como o tamanho da armação, seu formato e material. Confira os principais pontos a serem levados em consideração para fazer uma boa escolha.
1. Tamanho da armação
Armações para lentes multifocais precisam ter um bom diâmetro nas lentes para que se tenha um bom aproveitamento de cada campo de visão. Escolher armações pequenas demais podem acabar limitando os campos de visão e trazer desconfortos. A armação deve ter um tamanho compatível com o tamanho de seu rosto, sem ultrapassar demais as extremidades laterais do rosto nem as bochechas.
3. Material
A armação deve ter o material compatível com o grau da lentes. Armações em metal devem ser utilizadas em lentes com grau mais baixo, geralmente abaixo de 4. Acima disso é recomendado escolher materiais mais "grossos" como acetato, nylon, zilo ou TR-90, pois ajudam a esconder a espessura das lentes atenuando sua espessura.
2. Ajuste Nasal (O Segredo das Plaquetas)
A altura em que o óculos descansa no seu nariz define se você encontrará de forma natural e confortável os focos. Armações com plaquetas ajustáveis (aquelas pecinhas de silicone) são as mais indicadas para multifocais, pois permitem que o óptico suba ou desça o óculos milimetricamente para alinhar o corredor progressivo com a sua pupila.
3. Estabilidade e Formato
Evite armações excessivamente curvadas (estilo esportivo) a menos que a lente seja fabricada com tecnologia específica para isso. Para multifocais convencionais, o ideal são armações mais planas. Além disso, o formato deve evitar bases muito finas ou pontiagudas na parte inferior (como alguns modelos aviador extremos), que podem sacrificar o campo de visão de perto.
Dica de Ouro: Certifique-se de que a armação não fique escorregando no nariz. Peça que óculos seja bem ajustado. Se o óculos desce 2 milímetros, o seu foco para perto "some" e fica mais difícil ler com o óculos.
As Melhores Marcas: qual escolher
Há três marcas que dominam o mercado mundial de lentes de óculos e entregam o que há de melhor.
1. Varilux (Essilor)
A pioneira. A linha Varilux é a mais tradicional e mais vendida do mundo. A primeira lente multifocal foi uma Varilux, e desde então as lentes da marca só evoluíram e hoje em dia entregam tudo o que há de mais avançado e melhor nas lentes multifocais.
2. Zeiss
Conhecida pela sua precisão cirúrgica. As lentes Zeiss são desenhadas levando em conta o movimento do rosto e rotina cotididiana. A Zeiss prioriza a clareza periférica e a fidelidade de cores.
3. Hoya
Uma gigante japonesa famosa pela durabilidade e personalização de suas lentes. Entregam lentes feitas sob medida para você altamente personalizadas para sua visão e muito confortáveis.
O Desafio da Adaptação: É no Cérebro, não nos Olhos
Muitas pessoas desistem das multifocais na primeira semana. O erro? Esperar que o óculos funcione como um "zoom" automático de câmera e fique perfeito no primeiro dia.
Na verdade, a adaptação multifocal é um processo de neuroadaptação. O seu cérebro precisa aprender a olhar com os diferentes graus da lente e sua progressão.
- O segredo: Não mexa apenas os olhos; aponte o nariz para o que você quer ver.
- Persistência: Use o óculos o dia todo, desde o café da manhã. Se você ficar "treinando" com o óculos antigo, o cérebro nunca aprenderá a usar a nova lente.